Fale do que está incomodando agora, mesmo que pareça pequeno, confuso ou fora de ordem. Não existe assunto proibido, nem exigência de que o tema seja “sério o bastante”: conduzir a conversa é trabalho do psicólogo, e ele vai perguntar, organizar e ajudar você a chegar onde importa. Se der branco, diga que deu branco — isso também é material de trabalho.
Não existe assunto certo
Muita gente adia a terapia com medo de “não ter nada relevante para contar”. Na prática, o que você leva para a sessão é o assunto: uma discussão em casa, um sintoma físico, uma decisão travada, um incômodo sem nome. Queixas que parecem banais costumam ser a porta de entrada para padrões importantes.
Você também não precisa narrar sua vida em ordem cronológica. Cada abordagem lida com isso de um jeito: as de orientação psicanalítica convidam você a dizer o que vier à cabeça, sem filtrar (a chamada associação livre); a terapia cognitivo-comportamental costuma abrir a sessão combinando uma pequena pauta — o que é mais urgente hoje, o que ficou do último encontro. Nos dois casos, quem sustenta o fio da conversa é o profissional.
Por onde começar quando você não sabe o que dizer
Se a página em branco assusta, algumas perguntas ajudam a destravar:
- O que aconteceu desde a última sessão que mexeu com você — para melhor ou para pior;
- O que está doendo hoje: ansiedade, tristeza, raiva, cansaço, culpa, vazio;
- O que você está evitando — conversas, lugares, tarefas, pessoas;
- Como andam o sono, o apetite, o trabalho e as relações, que são termômetros do seu momento;
- O que você gostaria que fosse diferente daqui a alguns meses;
- O que você pensou em contar e não contou — inclusive sobre a própria terapia.
Anotar entre as sessões o que você não quer esquecer é um recurso simples e eficiente. E silêncio não é tempo perdido: pausas, choro e “não sei explicar” fazem parte do processo.
O que vale a pena não esconder
Esconder coisas do psicólogo é mais comum do que se imagina — vergonha, medo de julgamento e desejo de agradar aparecem com frequência na pesquisa sobre o tema. Mas o profissional só pode trabalhar com o que chega até ele. Por isso, alguns pontos merecem ser ditos mesmo quando é difícil: pensamentos de morte ou vontade de se machucar; uso de álcool, drogas ou medicamentos (e efeitos colaterais); situações de violência ou abuso; e também o incômodo com a terapia — sentir que não está avançando, discordar de algo que o psicólogo disse ou pensar em desistir.
Falar justamente disso tende a melhorar o tratamento: reparar esses desencontros fortalece a aliança terapêutica, um dos fatores mais associados a bons resultados em psicoterapia. E o que você conta está protegido pelo sigilo profissional, dever ético previsto no Código de Ética do Conselho Federal de Psicologia — com exceções raras, como risco à vida, que seu psicólogo deve explicar desde o primeiro encontro.
Pensamentos de morte não precisam esperar a próxima sessão.Se surgirem vontade de morrer ou de se machucar, procure ajuda imediatamente: fale com seu psicólogo ou psiquiatra, ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 h) ou busque uma emergência — SAMU 192, UPA ou o CAPS mais próximo. Dizer isso em voz alta não interrompe a terapia: ao contrário, é o que permite cuidar da sua segurança.
Como o Instituto Walden4 pode ajudar
No Instituto Walden4, a psicoterapia começa por uma conversa de acolhimento em que o profissional ajuda você a pôr em palavras o que está acontecendo — sem cobrança de um relato organizado. Os objetivos são combinados com você e revistos ao longo do processo, com sessões regulares, atendimento presencial e online, para adultos, crianças e adolescentes, particular e por planos de saúde. Com crianças, o caminho é o mesmo por outra via: o brincar é a linguagem da sessão, com orientação aos pais.
Para saber mais
- Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005) — define o sigilo profissional e suas exceções.
- Farber, B. A., Blanchard, M. & Love, M. (2019). Secrets and Lies in Psychotherapy. Washington: American Psychological Association — revisão sobre o que os pacientes escondem na terapia e os efeitos de revelar.
- Eubanks, C. F., Muran, J. C. & Safran, J. D. (2018). Alliance rupture repair: A meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 508–519 — associa a reparação de rupturas na relação terapêutica a melhores resultados.
- Beck, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed — descreve a construção colaborativa da pauta no início de cada sessão.
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para o seu caso, procure orientação individualizada.