verified_userPsicoterapia

Diretrizes Profissionais
para Atendimento Psicológico

O que uma das principais referências internacionais espera de um atendimento psicológico responsável

Nove diretrizes da American Psychological Association (APA) sobre prática baseada em evidências, atendimento online, avaliação, envelhecimento, deficiência, gênero e diversidade sexual — explicadas em português, com o link de cada documento original.

Um mapa do que é uma boa prática

A APA é a maior associação de psicologia dos Estados Unidos e publica, há décadas, diretrizes de prática: textos que reúnem pesquisa, ética e experiência clínica para orientar quem atende. Aqui, nove delas foram resumidas em linguagem simples — para quem procura terapia saber o que esperar, e para quem a pratica ter um ponto de partida.

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Feitas por especialistas

Cada diretriz é elaborada por uma força-tarefa de especialistas, revisada por conselhos e comitês da APA e aberta a comentários do público antes de ser aprovada.

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Recomendações, não regras

Diretrizes sugerem condutas e competências desejáveis. Ao contrário dos padrões — que são obrigatórios e podem ser fiscalizados —, são aspiracionais: servem para elevar a qualidade da prática.

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Não substituem o julgamento clínico

Segundo a própria APA, as diretrizes não se sobrepõem ao julgamento profissional informado de cada psicóloga ou psicólogo, que decide caso a caso.

E no Brasil? São documentos norte-americanos. Aqui, a profissão é regulada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP): o Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005) e as resoluções específicas, como as que indicamos nos cartões abaixo. Onde há uma norma brasileira diretamente ligada ao tema, ela aparece junto da diretriz.

As nove diretrizes

Prática, avaliação e públicos específicos

Como conduzir o atendimento — e o que muda com a modalidade online, a idade, a deficiência e a avaliação psicológica.

Prática psicológica baseada em evidências

APA · fev. 202110 diretrizes

Dez diretrizes para que o cuidado psicológico em serviços de saúde se apoie em pesquisa e, ao mesmo tempo, seja ajustado a cada pessoa — do plano de tratamento ao acompanhamento dos resultados.

O que ela orienta

  • Montar o plano de tratamento em conjunto com a pessoa atendida, sempre que possível.
  • Cuidar da relação terapêutica e das características de quem atende, que também influenciam a mudança.
  • Adaptar a abordagem às características, à cultura e às preferências de cada pessoa.
  • Acompanhar o processo e os resultados do tratamento de forma rotineira.
  • Ajustar a abordagem quando for preciso e encerrar o tratamento quando a pessoa não se beneficia mais dele.

Veja também: Prática Baseada em Evidências · Aliança terapêutica

Telepsicologia: atendimento online

APA · ago. 202411 diretrizes

Onze diretrizes para o atendimento psicológico mediado por tecnologia: competência, consentimento, segurança dos dados, documentação, emergências e uso de tecnologias novas.

O que ela orienta

  • Ter competência específica para a modalidade e manter-se atualizado sobre ela.
  • Obter e registrar o consentimento informado, com os cuidados próprios do atendimento remoto.
  • Proteger os dados da pessoa contra acesso indevido, perda ou vazamento — da transmissão ao descarte.
  • Seguir, no online, os mesmos padrões de qualidade do atendimento presencial.
  • Ter um plano para emergências e situações de risco, mesmo à distância.

No Brasil, o atendimento psicológico mediado por tecnologias digitais é regulado pela Resolução CFP nº 9/2024.

Veja também: Consentimento e assentimento · Terapia online ou presencial: qual é melhor?

Adultos mais velhos

APA · fev. 202421 diretrizes

Vinte e uma diretrizes para quem atende pessoas idosas: da atitude diante do envelhecimento à avaliação, à intervenção e ao trabalho com outras áreas da saúde.

O que ela orienta

  • Rever as próprias crenças e atitudes sobre envelhecer e buscar formação quando for necessário.
  • Considerar a diversidade do envelhecimento: gênero, raça, condição socioeconômica, deficiência, religião e lugar de moradia influenciam a saúde e o sofrimento psicológico.
  • Distinguir as mudanças cognitivas esperadas com a idade das que vêm de doenças.
  • Avaliar a capacidade funcional da pessoa no seu próprio ambiente social e físico.
  • Adaptar a psicoterapia, inclusive com mudanças no ambiente, às diferenças culturais e individuais.

Avaliação e testagem psicológica

APA · mar. 202017 diretrizes

Dezessete diretrizes sobre como planejar, conduzir e interpretar testagens e avaliações, com atenção à competência de quem avalia, à qualidade dos instrumentos, à cultura e ao uso de tecnologia.

O que ela orienta

  • Entender a pergunta que motivou a avaliação e para que ela vai servir.
  • Escolher instrumentos com evidências de validade e fidedignidade, justos e adequados ao objetivo e à população avaliada.
  • Usar mais de uma fonte de informação relevante e confiável.
  • Praticar com competência cultural e estar atento a vieses e a diferenças individuais.
  • Garantir a segurança, a transmissão, o armazenamento e o descarte dos dados nos instrumentos digitais.

No Brasil, a avaliação psicológica segue a Resolução CFP nº 31/2022, e o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), do CFP, informa quais testes estão aprovados para uso.

Veja também: Confiabilidade e validade da medida

Pessoas com deficiência

APA · fev. 202223 diretrizes

Vinte e três diretrizes para avaliar e acompanhar pessoas com deficiência e suas famílias, do acesso físico e de comunicação à adaptação dos testes e à escolha da intervenção.

O que ela orienta

  • Examinar as próprias crenças e reações diante da deficiência e trabalhar para mudar práticas capacitistas.
  • Oferecer espaços físicos e de comunicação sem barreiras para acessar o atendimento.
  • Reconhecer as forças e os desafios das famílias de pessoas com deficiência.
  • Adaptar a aplicação dos testes aos fatores ligados à deficiência, para que a avaliação seja válida.
  • Escolher a abordagem terapêutica sem presumir que ela dependa do tipo de deficiência.

Gênero e diversidade sexual

Diretrizes para um atendimento afirmativo a meninas, mulheres, meninos, homens, pessoas trans e pessoas de orientações sexuais minoritárias.

Meninas e mulheres

APA · fev. 201810 diretrizes

Dez diretrizes por uma prática afirmativa e atenta ao contexto de vida de meninas e mulheres — inclusive as trans — que reconhece suas forças sem negar as adversidades que enfrentam.

O que ela orienta

  • Reconhecer e cultivar as forças e a resiliência de meninas e mulheres.
  • Compreender o efeito da discriminação estrutural e dos legados de opressão sobre a vida delas.
  • Usar intervenções afirmativas, adequadas ao desenvolvimento, ao gênero e à cultura.
  • Refletir sobre as próprias atitudes e crenças a respeito de gênero.
  • Promover autonomia, consciência crítica e mais escolhas, e usar diagnósticos com parcimônia, considerando o contexto de vida.

Meninos e homens

APA · ago. 201810 diretrizes

Dez diretrizes sobre como as masculinidades se constroem e como isso afeta a saúde e as relações de meninos e homens, com foco em prevenção e em serviços sensíveis ao gênero.

O que ela orienta

  • Reconhecer que as masculinidades são construídas por normas sociais, culturais e do contexto.
  • Lembrar que meninos e homens integram várias identidades sociais ao longo da vida.
  • Compreender o impacto do poder, do privilégio e do sexismo no desenvolvimento e nas relações.
  • Trabalhar para reduzir problemas como agressão, violência, abuso de substâncias e suicídio.
  • Ajudar meninos e homens a adotar comportamentos de saúde e construir serviços psicológicos sensíveis ao gênero.

Pessoas trans e de gênero não conforme

APA · dez. 201516 diretrizes

Dezesseis diretrizes para um atendimento afirmativo a pessoas trans e de gênero não conforme, da compreensão de gênero à atuação com jovens, pessoas idosas e famílias.

O que ela orienta

  • Entender que gênero não é binário e que a identidade de gênero pode não coincidir com o sexo atribuído ao nascer.
  • Distinguir identidade de gênero de orientação sexual: são construtos diferentes, ainda que relacionados.
  • Perceber como as próprias atitudes e conhecimentos sobre gênero afetam a qualidade do cuidado.
  • Reconhecer o efeito do estigma, do preconceito, da discriminação e da violência sobre a saúde e o bem-estar.
  • Lembrar que apoio social e cuidado afirmativo se associam a melhores resultados de vida.

No Brasil, a atuação com pessoas transexuais e travestis segue a Resolução CFP nº 1/2018, que afirma que essas identidades não são patologias.

Pessoas de minorias sexuais (LGB+)

APA · fev. 202116 diretrizes

Dezesseis diretrizes para um atendimento afirmativo a pessoas lésbicas, gays, bissexuais e de outras orientações sexuais minoritárias, com temas como estresse de minoria, saúde sexual, famílias, escola e trabalho.

O que ela orienta

  • Entender que as pessoas têm orientações sexuais diversas, que se cruzam com outras identidades e contextos.
  • Diferenciar questões de orientação sexual das de identidade e expressão de gênero.
  • Saber que orientações sexuais minoritárias não são doença mental e que tentar mudá-las causa dano.
  • Reconhecer o efeito do estresse de minoria sobre a saúde mental, física e psicossocial.
  • Assumir uma postura afirmativa, reconhecendo as forças e a resiliência dessas pessoas e comunidades.

No Brasil, a Resolução CFP nº 1/1999 estabelece que psicólogas e psicólogos não patologizam a homossexualidade nem oferecem tratamento ou “cura” para ela.

O que isso significa na prática

Das nove diretrizes, seis ideias aparecem o tempo todo. Servem como roteiro para avaliar qualquer serviço de psicologia — inclusive o nosso.

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Um plano construído com você

O plano de tratamento é montado em conjunto com a pessoa atendida, e a abordagem se ajusta às características, à cultura e às preferências dela.

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Resultados acompanhados

O processo e os resultados são acompanhados de forma rotineira. Se a pessoa não se beneficia mais, a abordagem muda — ou o tratamento termina.

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Respeito à sua identidade e cultura

Gênero, orientação sexual, idade, deficiência e contexto de vida fazem parte do atendimento. Pede-se uma postura afirmativa e atenção aos próprios vieses de quem atende.

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Consentimento e proteção dos dados

No online, espera-se consentimento informado com as particularidades da modalidade, dados protegidos da transmissão ao descarte e um plano para emergências.

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Avaliações bem fundamentadas

Uma avaliação parte de uma pergunta clara, usa instrumentos com evidências de validade e mais de uma fonte de informação, e considera cultura e diferenças individuais.

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Acesso sem barreiras

Espaços e comunicação acessíveis, testes adaptados quando preciso e atenção às famílias fazem parte do que se espera no atendimento a pessoas com deficiência.

Quer levar isso para a primeira conversa com um serviço? Dez perguntas para levar à primeira conversa

Documentos consultados

Os resumos desta página são do Instituto Walden4, feitos a partir dos textos originais, consultados em 29 de outubro de 2026. Não são tradução: em caso de dúvida, vale sempre o documento da APA.

  1. American Psychological Association. (2021). Professional Practice Guidelines for Evidence-Based Psychological Practice in Health Care. https://www.apa.org/about/policy/psychological-practice-health-care.pdf
  2. American Psychological Association. (2024). APA Guidelines for the Practice of Telepsychology. https://www.apa.org/about/policy/telepsychology-revisions
  3. American Psychological Association. (2024). APA Guidelines for Psychological Practice with Older Adults. https://www.apa.org/practice/guidelines/older-adults
  4. American Psychological Association. (2020). Guidelines for Psychological Assessment and Evaluation. https://www.apa.org/about/policy/guidelines-psychological-assessment-evaluation.pdf
  5. American Psychological Association. (2022). Guidelines for Assessment and Intervention with Persons with Disabilities. https://www.apa.org/about/policy/guidelines-assessment-intervention-disabilities.pdf
  6. American Psychological Association. (2018). Guidelines for Psychological Practice with Girls and Women. https://www.apa.org/about/policy/psychological-practice-girls-women.pdf
  7. American Psychological Association. (2018). Guidelines for Psychological Practice with Boys and Men. https://www.apa.org/about/policy/boys-men-practice-guidelines.pdf
  8. American Psychological Association. (2015). Guidelines for Psychological Practice With Transgender and Gender Nonconforming People. https://www.apa.org/practice/guidelines/transgender.pdf
  9. American Psychological Association. (2021). Guidelines for Psychological Practice with Sexual Minority Persons. https://www.apa.org/about/policy/psychological-sexual-minority-persons.pdf

Esta página tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico nem orientação de uma profissional ou de um profissional de psicologia.

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