O reforço diferencial é uma família de procedimentos da Análise do Comportamento que faz duas coisas ao mesmo tempo: reforça (fortalece) um comportamento desejável e coloca em extinção (deixa sem consequência reforçadora) outro comportamento. Assim, em vez de só tentar “tirar” um comportamento-problema, ensinamos e fortalecemos algo melhor no lugar. Existem quatro tipos principais — DRA, DRI, DRO e DRL — que mudam conforme o que exatamente é reforçado.
Segundo Cooper, Heron & Heward (Applied Behavior Analysis), o reforço diferencial é um procedimento que combina dois processos: o reforçamento de uma classe de respostas específica (ou da ausência do comportamento-alvo) e a extinção de outra classe de respostas (o comportamento-alvo). O efeito líquido é fortalecer um comportamento enquanto o outro enfraquece — sempre a partir da função que o comportamento cumpre.
Duas forças ao mesmo tempo
Reforço diferencial não é uma técnica isolada, e sim uma combinação: de um lado, reforço para o comportamento que queremos ver mais; do outro, extinção — a mesma consequência que antes mantinha o comportamento-problema deixa de vir. É por isso que ele é considerado uma abordagem construtiva: o foco está em construir algo melhor, não apenas em suprimir.
Os quatro tipos (DRA, DRI, DRO, DRL)
O que muda entre eles é o que exatamente recebe o reforço. Toque em cada cartão para ver o significado e um exemplo:
Cuidado com o “O” do DROO DRO não reforça um comportamento bom específico — ele reforça o tempo sem o comportamento-alvo. Por isso, sozinho, ele pode acabar fortalecendo, sem querer, qualquer outra coisa que a pessoa faça no intervalo. Costuma funcionar melhor combinado com o ensino de um comportamento alternativo (DRA).
Por que costuma ser a primeira escolha
Diante de um comportamento desafiador, o reforço diferencial é geralmente preferível à punição, por razões éticas e práticas:
- ensina uma habilidade útil no lugar, em vez de apenas suprimir;
- é menos restritivo e preserva a dignidade e o repertório da pessoa;
- tende a produzir resultados mais duradouros, porque o novo comportamento passa a “valer a pena”.
O passo anterior é sempre descobrir a função do comportamento — o que a avaliação funcional faz. Só assim se escolhe um substituto que dê à pessoa o mesmo resultado por um caminho melhor.
Um exemplo bem estudadoO Treino de Comunicação Funcional (FCT) — descrito por Carr e Durand em 1985 — é uma aplicação clássica do DRA: ensina-se uma resposta de comunicação (pedir, apontar, usar um cartão) que cumpre a mesma função do comportamento-problema, que então deixa de ser reforçado.
Teste seu entendimento
Quiz rápido
Três perguntas para fixar o conceito. Você vê a explicação na hora.
Para saber mais
- Cooper J. O., Heron T. E. & Heward W. L. Applied Behavior Analysis. 3ª ed. Pearson, 2020 (cap. sobre reforço diferencial: DRA, DRI, DRO e DRL).
- Carr E. G. & Durand V. M. “Reducing behavior problems through functional communication training”. Journal of Applied Behavior Analysis, 1985.
- Vollmer T. R. & Iwata B. A. “Differential reinforcement as treatment for behavior disorders”. Research in Developmental Disabilities, 1992.
Este verbete tem caráter educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para um caso específico, procure orientação individualizada.