Na Análise do Comportamento, extinção é o que acontece quando um comportamento que antes era reforçado deixa de produzir o reforço — e, por isso, vai diminuindo até quase parar. Não é punição (nada é acrescentado nem retirado para “castigar”) nem esquecimento. Para funcionar, é preciso saber qual reforço mantém o comportamento e suspender justamente esse. E há um detalhe importante: logo no começo o comportamento costuma aumentar antes de cair — é o chamado pico de extinção.
Em Análise do Comportamento Aplicada (Cooper, Heron & Heward), extinção é o procedimento em que se descontinua o reforço de uma resposta anteriormente reforçada, tendo como efeito a redução da frequência dessa resposta até níveis próximos aos de antes do reforço, ou até ela deixar de ocorrer. Em termos operantes: uma resposta que costumava produzir um reforçador passa a não produzi-lo.
Extinção não é punição
É fácil confundir, mas são coisas diferentes. Na punição, algo é acrescentado ou retirado logo depois do comportamento para fazê-lo diminuir. Na extinção, nada de novo acontece: o que muda é que a consequência que mantinha o comportamento — o reforço — deixa de vir.
Pense numa máquina de venda automática. Você insere a moeda e, normalmente, o produto cai (reforço). Um dia a máquina trava: você insere a moeda e nada acontece. O que você faz? Aperta o botão de novo, várias vezes, mais forte, talvez chacoalhe a máquina — e, por fim, desiste. Esse “desistir” é a extinção em ação: a resposta deixou de ser reforçada e foi enfraquecendo.
O que acontece quando o reforço some
A curva da extinção tem uma forma característica. Em vez de o comportamento cair na hora, ele costuma subir antes de descer — e pode dar uma “recaída” depois de um tempo:
Três fenômenos quase sempre acompanham a extinção. Toque nos cartões:
Por que o pico acontece?Faz sentido: quando algo que sempre funcionava de repente falha, a primeira reação é insistir mais — como apertar o botão da máquina várias vezes. Saber que o pico é esperado evita interpretá-lo como “piora” e desistir bem na hora em que a extinção estava começando a funcionar.
Extinção depende da função
Não existe “a” extinção genérica: para suspender o reforço, é preciso saber qual reforço mantém o comportamento. O mesmo gesto — por exemplo, “ignorar” — pode ser extinção num caso e o contrário dela em outro. Veja como muda conforme a função:
Quando o reforço é atenção
Se o comportamento “funciona” porque atrai atenção (olhares, conversa, bronca), a extinção é retirar essa atenção de forma planejada — o chamado ignorar planejado. Atenção: ignorar só é extinção quando a função realmente é atenção.
Quando o reforço é fuga ou esquiva
Se o comportamento serve para escapar de uma tarefa difícil ou desagradável (reforço negativo), a extinção é a extinção de fuga: não deixar que o comportamento interrompa a demanda. Aqui, “ignorar” e retirar a tarefa fariam o oposto — reforçariam a fuga.
Quando o reforço é o próprio estímulo sensorial
Alguns comportamentos se mantêm pela sensação que produzem (reforço automático). A extinção sensorial busca atenuar ou mascarar essa consequência. Nem sempre é viável ou indicado — e exige avaliação cuidadosa de um profissional.
“Ignorar” nem sempre é extinçãoIgnorar um comportamento cuja função é fugir de uma tarefa pode reforçá-lo: se a pessoa consegue escapar da demanda, o comportamento foi premiado, não extinto. Por isso a extinção sempre vem depois de entender a função — veja comportamentos desafiadores e seu manejo.
Como usar com responsabilidade
Extinção é uma ferramenta poderosa, mas raramente usada sozinha. A prática ética e baseada em evidências combina suspender o reforço do comportamento-problema com ensinar e reforçar uma alternativa:
- Junte com reforço de alternativas. Estratégias de reforço diferencial fazem um comportamento adequado “ocupar o lugar” do antigo, em vez de apenas tentar apagá-lo.
- Planeje o pico. Sabendo que pode haver aumento temporário, define-se antes como manter a consistência com segurança.
- Mantenha a consistência. Se o reforço escapar “de vez em quando”, vira esquema intermitente — e o comportamento fica mais resistente, não menos.
- Avalie o risco. Para comportamentos perigosos (autolesão, agressão grave), a extinção isolada pode não ser adequada por causa do pico. A decisão é de um profissional qualificado.
Extinção não é esquecimentoEsquecer é o comportamento enfraquecer só pela passagem do tempo, sem oportunidade de ocorrer. Na extinção, o comportamento continua acontecendo — só que sem o reforço — e é essa experiência repetida que o enfraquece. São processos diferentes.
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Para saber mais
- Cooper, J. O.; Heron, T. E.; Heward, W. L. Applied Behavior Analysis (Análise do Comportamento Aplicada). 3ª ed., 2020 — capítulo sobre Extinção.
- Lerman, D. C.; Iwata, B. A. “Prevalence of the extinction burst and its attenuation during treatment”. Journal of Applied Behavior Analysis, 28, 1995.
- Skinner, B. F. Ciência e Comportamento Humano. 1953.
- Catania, A. C. Aprendizagem: Comportamento, Linguagem e Cognição. 4ª ed.
Este verbete tem caráter educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para um caso específico, procure orientação individualizada.