Sim. Você pode trocar de psicólogo a qualquer momento, sem precisar justificar — a escolha do profissional é sua. Antes de decidir, vale uma conversa franca sobre o que não está funcionando: muitas vezes o desconforto é sobre o assunto, não sobre a pessoa, e falar disso costuma melhorar o tratamento. Se mesmo assim o encaixe não vier, procure outro profissional em vez de abandonar o cuidado.
Não se adaptar não é fracasso — seu nem dele
Nem todo profissional competente é o profissional certo para você. Sentir que “não flui” depois de algumas sessões é comum e não significa que a terapia não funciona nem que você é um paciente difícil. A relação entre você e o terapeuta — a chamada aliança terapêutica — é um dos fatores mais consistentemente associados a bons resultados em psicoterapia. Quando ela não se forma, insistir sem falar a respeito costuma render pouco.
Não há contrato de fidelidade: você pode interromper ou trocar quando quiser, inclusive depois da primeira sessão.
Antes de trocar, vale conversar
Há dois incômodos bem diferentes, fáceis de confundir:
- O desconforto do processo: falar de assuntos dolorosos, encarar um padrão que você evitava. Costuma ser passageiro — mas, se persistir semana após semana, leve isso ao profissional.
- O desencontro com o profissional: você não se sente ouvido e sai das sessões com a sensação de que nada se conecta com a sua vida.
Dizer isso em voz alta — “não estou entendendo o objetivo do nosso trabalho” — não é falta de educação: é material clínico. Um bom profissional recebe a conversa com abertura, revê o plano com você e, se for o caso, sugere um encaminhamento.
Desentendimento resolvido anda junto com melhor resultado.Uma meta-análise de 11 estudos, com mais de 1.300 pacientes, encontrou relação moderada entre reparar as rupturas da relação terapêutica e obter bons resultados. Falar do que incomodou, e resolver, está associado a terapias com melhor desfecho.
Quando a troca é mesmo o caminho
Alguns sinais indicam que procurar outro profissional é o mais sensato:
- Você levantou o incômodo e ele foi minimizado, ignorado ou devolvido como culpa sua;
- Depois de várias sessões, você ainda não sabe qual é o objetivo do tratamento — e pedir essa conversa não mudou nada;
- Aparecem os sinais de alerta que valem na hora de escolher um psicólogo: promessa de “cura garantida”, imposição de crenças pessoais, quebra de sigilo;
- A sua demanda exige experiência que o profissional não tem (autismo, avaliação psicológica, uso de substâncias, por exemplo);
- Horário, formato ou valor deixaram de ser viáveis — e não há ajuste possível.
Há um caso que vai além da falta de encaixe: sem registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP), a pessoa não é psicóloga, e atender assim é exercício ilegal da profissão. Interrompa e leve o caso ao CRP do seu estado — o registro pode ser conferido na consulta pública dos Conselhos de Psicologia.
Decidida a troca, saia com transição, não com sumiço: avise que vai encerrar, peça orientação sobre o encaminhamento e, se precisar, um documento com o resumo do trabalho. O Código de Ética Profissional do Psicólogo põe isso entre os deveres da profissão: orientar sobre os encaminhamentos apropriados e fornecer, quando solicitados, os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho — e, quando é o profissional que não pode continuar, sugerir colegas e repassar o necessário à continuidade. Interromper a terapia antes da hora acontece com cerca de um em cada cinco adultos — e costuma custar caro: o problema que levou você a procurar ajuda continua ali.
Como o Instituto Walden4 pode ajudar
No Instituto Walden4, a psicoterapia é feita por uma equipe de psicólogos registrados, com atendimento presencial e online para adultos, crianças e adolescentes. Se você está recomeçando depois de uma experiência que não deu certo, conte isso logo na primeira conversa: ajuda a indicar o profissional e a abordagem com mais chance de encaixe. Rever o plano, quando o caminho precisa mudar, faz parte do nosso trabalho.
Para saber mais
- Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005) — Art. 1º, alínea “h” (orientar sobre os encaminhamentos apropriados e fornecer os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho) e alínea “k” (sugerir serviços de outros psicólogos quando, por motivos justificáveis, o próprio profissional não puder dar continuidade ao trabalho que assumiu, fornecendo ao substituto as informações necessárias).
- Flückiger, C., Del Re, A. C., Wampold, B. E. & Horvath, A. O. (2018). The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis. Psychotherapy, 55(4), 316–340 — síntese de 295 estudos e mais de 30 mil pacientes sobre a associação entre aliança terapêutica e resultado do tratamento.
- Eubanks, C. F., Muran, J. C. & Safran, J. D. (2018). Alliance rupture repair: A meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 508–519 — 11 estudos e 1.314 pacientes; a resolução das rupturas da aliança associou-se a melhores resultados (r = 0,29).
- Swift, J. K. & Greenberg, R. P. (2012). Premature discontinuation in adult psychotherapy: A meta-analysis. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 80(4), 547–559 — 669 estudos e 83.834 pacientes; a taxa média de abandono precoce foi de 19,7%.
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para o seu caso, procure orientação individualizada.