assignmentAvaliação e Medidas

Definição Operacional do Comportamento

Antes de medir ou ensinar qualquer coisa, é preciso combinar exatamente o que conta como o comportamento.

boltEm resumo

Uma definição operacional descreve o comportamento pelo que se vê e se pode contar — não por rótulos como “agressivo”, “desatento” ou “birrento”. Em vez de dizer que a criança “é agitada”, descreve-se o que ela faz: “levantar da cadeira durante a tarefa”. Uma boa definição é objetiva, clara e completa: ela torna possível que duas pessoas diferentes, observando a mesma cena, cheguem ao mesmo registro — algo que depois se pode verificar. É essa combinação prévia que permite medir de verdade, comparar o antes e o depois e saber se a intervenção está funcionando.

Definição técnica

Em Análise do Comportamento Aplicada (Cooper, Heron & Heward), a definição operacional — ou definição do comportamento-alvo — é a descrição precisa, objetiva e concisa de um comportamento em termos observáveis e mensuráveis, que delimita o que conta e o que não conta como ocorrência. Ela pode ser topográfica (baseada na forma do movimento) ou funcional (baseada no efeito que a resposta produz no ambiente). Segundo os critérios clássicos de Hawkins e Dobes (1977), a definição precisa ser objetiva, clara e completa — condição para obter concordância entre observadores e uma medida confiável.

Por que rótulos não servem para medir

“Ele é agressivo.” “Ela é desatenta.” “Foi birra.” Frases assim parecem informativas, mas cada pessoa que as escuta imagina uma cena diferente. Elas descrevem uma impressão sobre a pessoa, não um evento que aconteceu no mundo. E aquilo que não é descrito do mesmo jeito por todos não pode ser contado, comparado nem acompanhado ao longo do tempo.

A definição operacional resolve esse problema com uma troca simples: saia do adjetivo, vá para o verbo. Não se registra “agressividade”; registra-se “bater com a mão em outra pessoa”. O rótulo vira uma descrição que qualquer observador consegue reconhecer — e é justamente aí que a medida começa a existir.

RÓTULO VAGO “Ele é agressivo” ? ? ? Cada observador registra uma coisa diferente DEFINIÇÃO OPERACIONAL “Bater com a mão em outra pessoa, com força suficiente para produzir som audível” Permite checar a concordância
O rótulo descreve uma impressão e produz registros diferentes; a definição operacional descreve um evento observável e torna possível que observadores independentes cheguem ao mesmo registro. Essa convergência tem nome técnico — concordância entre observadores — e é ela própria algo que se mede.

Os três critérios de uma boa definição

Hawkins e Dobes propuseram um trio de exigências que virou referência na área e é reproduzido nos manuais de ABA. Vire os cartões para ver o que cada critério cobra:

Um jeito prático de testar a própria definição é entregá-la a alguém que não conhece o caso e perguntar se essa pessoa saberia, sozinha, dizer se o comportamento aconteceu ou não. Se ela hesitar, falta descrição — não intenção.

lightbulb

O “teste do homem morto”Formulado por Ogden Lindsley, o teste diz: se um morto consegue fazer, não é comportamento. Ficar quieto, não bater, não sair da cadeira — nada disso é comportamento; é ausência de comportamento. Por isso a definição deve apontar o que a pessoa faz — “escrever na folha da atividade” no lugar de “não sair da cadeira” —, e não o que ela deixa de fazer.

Dois jeitos de definir: pela forma ou pelo efeito

Definições operacionais podem partir de dois ângulos diferentes. Nenhum é melhor em abstrato — a escolha depende do que precisa ser medido e de quão fácil é observar cada aspecto.

Topográfica — pela forma do movimento

Descreve o comportamento pela sua aparência: quais movimentos o corpo faz. Por exemplo, “bater a mão aberta contra a superfície da mesa”. É útil quando a forma em si importa (como na escrita, na articulação da fala ou em habilidades motoras) e quando o efeito no ambiente é difícil de observar. A desvantagem é que respostas com formas diferentes mas o mesmo efeito — bater com a mão, com o cotovelo, com um objeto — acabam ficando de fora se não forem todas listadas.

Funcional — pelo efeito no ambiente

Descreve o comportamento pelo resultado que ele produz, sem exigir uma forma específica: “qualquer resposta que derrube os objetos da mesa”. Costuma ser mais econômica, porque abrange de uma vez todas as variações de forma que produzem o mesmo efeito, e frequentemente é mais fácil de registrar — o efeito costuma deixar um rastro visível. Exige, porém, que esse efeito seja de fato observável e atribuível ao comportamento da pessoa.

Da definição à medida

A definição operacional não é burocracia: ela é o que torna possível o passo seguinte, o de medir. Só depois de combinar o que conta como ocorrência é que faz sentido escolher a dimensão a registrar:

  • quantas vezes aconteceu em um período (frequência ou taxa);
  • quanto tempo durou cada episódio (duração);
  • quanto tempo se passou entre a instrução e o início da resposta (latência);
  • em que proporção das oportunidades a resposta ocorreu (porcentagem de oportunidades).

Com esses dados em mãos, dá para comparar o antes e o depois com honestidade — e é assim que se descobre se uma intervenção está ajudando, se precisa de ajuste ou se deve ser abandonada. Definições frouxas produzem dados frouxos, e dados frouxos levam a decisões ruins sobre a vida de alguém. Veja também os verbetes sobre avaliação funcional e análise do comportamento aplicada.

warning

Cuidado com a definição que já traz a explicação embutidaEscrever “bate nos colegas para chamar atenção” mistura duas coisas: a descrição do comportamento e uma hipótese sobre a sua função. A definição deve dizer apenas o que a pessoa faz; descobrir para que aquilo serve é tarefa da avaliação funcional. Misturar os dois faz o observador registrar a própria interpretação em vez do que viu.

comportamento-alvo definição topográfica definição funcional concordância entre observadores teste do homem morto observável e mensurável

Teste seu entendimento

quiz

Quiz rápido

Três perguntas para fixar o conceito. Você vê a explicação na hora.

Para saber mais

  1. Cooper, J. O.; Heron, T. E.; Heward, W. L. Applied Behavior Analysis (Análise do Comportamento Aplicada). 3ª ed., 2020 — capítulo sobre seleção e definição de comportamentos-alvo.
  2. Hawkins, R. P.; Dobes, R. A. “Behavioral definitions in applied behavior analysis: Explicit or implicit?”. In: Etzel, B. C.; LeBlanc, J. M.; Baer, D. M. (orgs.), New Developments in Behavioral Research, 1977.
  3. Baer, D. M.; Wolf, M. M.; Risley, T. R. “Some current dimensions of applied behavior analysis”. Journal of Applied Behavior Analysis, 1968.
  4. Lindsley, O. R. “From technical jargon to plain English for application”. Journal of Applied Behavior Analysis, 1991.
info

Este verbete tem caráter educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para um caso específico, procure orientação individualizada.

campaignConheça o Instituto Walden4

Verbetes relacionados

Precisa de orientação profissional?

O Instituto Walden4 oferece avaliação e atendimento baseados em evidências para autismo (TEA), psicoterapia e desenvolvimento. Fale com nossa equipe.

chat Falar pelo WhatsApp
chat