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Validade Social

Mudar o comportamento não basta: a mudança precisa importar para quem vive com ela.

boltEm resumo

A validade social avalia se uma intervenção realmente vale a pena na visão de quem é afetado por ela. Proposta por Montrose Wolf (1978), ela pergunta em três níveis: os objetivos são importantes?, os procedimentos são aceitáveis? e os resultados fazem diferença na vida real? É o que garante que a ciência do comportamento sirva às pessoas — e não o contrário.

Definição técnica

Validade social é o grau em que os objetivos, os procedimentos e os resultados de uma intervenção comportamental são considerados importantes, apropriados e satisfatórios pelas pessoas diretamente afetadas por ela — os chamados consumidores (a própria pessoa atendida, sua família, professores e a comunidade). O conceito foi formulado por Montrose M. Wolf (1978) e se apoia na dimensão “aplicada” definida por Baer, Wolf e Risley (1968): o comportamento estudado deve ter relevância social, não apenas interesse teórico.

Funcionar não é o mesmo que importar

Uma intervenção pode produzir uma mudança de comportamento real, mensurável e confiável — visível num gráfico, comprovada por um bom delineamento — e ainda assim não importar para as pessoas envolvidas. O comportamento escolhido pode ser irrelevante para a vida da pessoa; o método pode ser desconfortável ou humilhante; o ganho pode ser pequeno demais para fazer diferença no dia a dia.

A importância experimental (a mudança aconteceu por causa da intervenção?) é diferente da importância social (a mudança valeu a pena?). A validade social existe justamente para responder à segunda pergunta, dando voz a quem recebe o atendimento em vez de deixar essa decisão só com quem o aplica.

1 2 3 Objetivos Fazem sentido? Procedimentos São aceitáveis? Resultados Importam? Os três níveis avaliados pela validade social
Wolf (1978) propôs avaliar a intervenção em três níveis: se o alvo é importante, se o caminho é aceitável e se o efeito faz diferença.

Os três níveis da validade social

Toque em cada nível para ver a pergunta que ele responde:

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Quem são os “consumidores”A opinião que conta não é só a do técnico. Consideram-se os consumidores diretos (a própria pessoa atendida), os consumidores intermediários (família, professores, cuidadores) e os consumidores da comunidade (escola, sociedade, quem financia o serviço). A validade social é maior quando esses diferentes olhares concordam que o trabalho vale a pena.

Como se mede a validade social

Se a pergunta é “isso importa para as pessoas?”, faz sentido perguntar às pessoas. Foi o argumento provocador de Wolf: além dos dados objetivos, a Análise do Comportamento precisava também de medidas subjetivas — a opinião de quem vive a intervenção. Há dois caminhos principais, muitas vezes usados juntos:

Perguntar a quem vive a intervenção

Usam-se escalas de opinião, questionários e entrevistas com os consumidores para saber o quanto eles valorizam os objetivos, aceitam os procedimentos e estão satisfeitos com os resultados. É a via mais associada a Wolf: coloca a percepção das pessoas no centro da avaliação, e não apenas os números do gráfico.

Comparar com um padrão de referência

Descrita por Kazdin (1977), compara o desempenho da pessoa depois da intervenção ao de um grupo de referência — colegas ou pessoas sem a dificuldade em questão. Se o comportamento passou a se aproximar do de seus pares, isso sugere que a mudança foi socialmente significativa, e não apenas estatística.

Medir a aceitabilidade não é um detalhe simpático: um procedimento que a família e a própria pessoa aceitam tende a ser aplicado com mais fidelidade, sustentado por mais tempo e a se generalizar melhor para o dia a dia. Validade social e resultados duradouros costumam andar de mãos dadas.

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Satisfação não substitui dadosValidade social complementa a medida objetiva — não toma o seu lugar. Uma família pode estar satisfeita sem que o comportamento tenha mudado de fato, ou insatisfeita apesar de um ganho real. Por isso as duas coisas caminham juntas: os dados mostram se a mudança aconteceu; a validade social mostra se ela valeu a pena.

significância social dos objetivos aceitabilidade do tratamento importância dos efeitos avaliação subjetiva comparação social (normativa) consumidores

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Para saber mais

  1. Wolf M. M. “Social validity: the case for subjective measurement or how applied behavior analysis is finding its heart”. Journal of Applied Behavior Analysis, 11(2), 203–214, 1978.
  2. Baer D. M., Wolf M. M., Risley T. R. “Some current dimensions of applied behavior analysis”. Journal of Applied Behavior Analysis, 1(1), 91–97, 1968.
  3. Kazdin A. E. “Assessing the clinical or applied importance of behavior change through social validation”. Behavior Modification, 1(4), 427–452, 1977.
  4. Cooper J. O., Heron T. E., Heward W. L. Applied Behavior Analysis. 3ª ed. Pearson, 2020.
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Este verbete tem caráter educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para um caso específico, procure orientação individualizada.

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