Não existe uma causa única. O autismo é, sobretudo, de origem genética — muitos genes que influenciam o desenvolvimento do cérebro desde a gestação —, com contribuição de alguns fatores biológicos da gestação e do parto. Na maioria dos casos não é possível apontar uma causa específica. E vale dizer com todas as letras: o autismo não é causado por vacinas, nem por falha de criação, falta de afeto ou excesso de telas.
O peso da genética
Há décadas, estudos com gêmeos e com famílias apontam na mesma direção: quando um gêmeo idêntico é autista, a chance de o outro também ser é muito maior do que entre gêmeos fraternos ou irmãos comuns. É por isso que se diz que a genética responde pela maior parte do que leva ao autismo — é a condição do neurodesenvolvimento com maior peso hereditário conhecido.
Mas não existe “o gene do autismo”. O que se conhece são muitos genes, cada um com um efeito pequeno, que se combinam de formas diferentes em cada pessoa. Parte dessas variações é herdada; outra parte surge na formação do embrião e não veio de nenhum dos pais — o que ajuda a explicar por que um casal sem histórico algum na família pode ter um filho autista.
Numa parcela menor dos casos, o autismo aparece junto de uma condição genética identificável, como a síndrome do X frágil ou a esclerose tuberosa. Por isso o médico às vezes solicita exames genéticos depois do diagnóstico: eles não diagnosticam autismo — o diagnóstico é clínico —, mas podem explicar o quadro, orientar o cuidado com a saúde e informar a família.
O que acontece na gestação e no parto
Alguns fatores estão associados a um aumento — em geral pequeno — da chance de autismo:
- Idade avançada dos pais na concepção, tanto do pai quanto da mãe;
- Prematuridade e peso muito baixo ao nascer;
- Algumas infecções e complicações durante a gravidez;
- Exposição, na gestação, a certos medicamentos — o caso mais bem documentado é o do ácido valproico, usado no tratamento da epilepsia e do transtorno bipolar.
Duas ressalvas importantes. Primeira: aumentar a chance não é causar — a grande maioria das crianças expostas a esses fatores não é autista, e muitas crianças autistas não passaram por nenhum deles. Segunda: nenhuma medicação deve ser interrompida ou trocada por conta própria na gravidez; essa decisão é sempre do médico que acompanha o caso.
O que não causa autismo
Boa parte do sofrimento das famílias vem de explicações que a ciência já descartou:
- Vacinas — nenhuma vacina causa autismo;
- O jeito de criar — a antiga ideia da “mãe geladeira”, dos anos 1950, foi abandonada há muito tempo: autismo não vem de pais frios, distantes ou permissivos;
- Telas, açúcar, glúten ou leite — nada disso provoca autismo (o que não impede que a alimentação e o uso de telas mereçam cuidado, como para qualquer criança);
- Sustos, brigas ou traumas durante a gravidez ou na primeira infância.
Vacinas não causam autismo — isso está bem estabelecido.O estudo de 1998 que levantou a suspeita sobre a vacina tríplice viral foi retratado pela própria revista que o publicou, e seu autor perdeu o registro médico por conduta desonesta. Desde então, pesquisas que acompanharam centenas de milhares de crianças não encontraram nenhuma associação. Deixar de vacinar não previne autismo — apenas expõe a criança a doenças graves.
Como o Instituto Walden4 pode ajudar
Na prática, saber a causa raramente muda o plano de apoio ao desenvolvimento: o que transforma a vida da criança é o apoio certo, começado cedo — comunicação, autonomia, convivência, escola. Se há sinais de autismo e ainda não houve avaliação, ou se o diagnóstico veio e ninguém explicou os próximos passos, esse é o momento de buscar orientação.
No Instituto Walden4, o cuidado a crianças e adolescentes reúne avaliação, psicoterapia ABA, fonoaudiologia, terapia ocupacional e orientação de pais, com plano individualizado e participação ativa da família. Uma primeira conversa já esclarece muita coisa — inclusive a culpa que tantas famílias carregam sem motivo.
Para saber mais
- American Psychiatric Association (2022). DSM-5-TR — Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª ed., texto revisado — seção sobre fatores de risco e prognóstico do Transtorno do Espectro Autista.
- Tick, B., Bolton, P., Happé, F., Rutter, M. & Rijsdijk, F. (2016). Heritability of autism spectrum disorders: a meta-analysis of twin studies. Journal of Child Psychology and Psychiatry — meta-análise dos estudos com gêmeos que sustenta o peso da genética no autismo.
- Organização Mundial da Saúde. Autism — fact sheet — resumo oficial sobre o autismo, incluindo a ausência de associação causal entre vacinas e TEA.
- Hviid, A., Hansen, J. V., Frisch, M. & Melbye, M. (2019). Measles, Mumps, Rubella Vaccination and Autism: A Nationwide Cohort Study. Annals of Internal Medicine — coorte dinamarquesa com mais de 650 mil crianças, sem associação entre a vacina tríplice viral e o autismo.
- Christensen, J. et al. (2013). Prenatal valproate exposure and risk of autism spectrum disorders and childhood autism. JAMA — estudo populacional sobre a exposição ao ácido valproico na gestação.
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única — para o seu caso, procure orientação individualizada.