Conteúdo técnico dirigido a psicólogos. O CORE-OM é uma medida de resultado, não um instrumento diagnóstico. Sua interpretação é atribuição do profissional.
O CORE-OM tem 34 itens em escala de frequência de 0 a 4, referidos aos últimos sete dias, distribuídos em quatro domínios — bem-estar, problemas/sintomas, funcionamento e risco. O escore oficial é a média dos itens multiplicada por 10 (clinical score, 0–40). O ponto de corte clínico em uso é 10, e uma diferença de 5 pontos entre duas aplicações é convencionada como mudança confiável. Os seis itens de risco não formam subescala: são sinalizadores — qualquer resposta acima de zero pede atenção clínica.
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O que é e de onde vem
O CORE System nasceu no Reino Unido, no fim dos anos 1990, de um problema prático: serviços de psicoterapia com orientações teóricas diferentes não tinham como comparar seus resultados, porque cada um media o que queria, do jeito que queria. A resposta foi construir uma medida pan-teórica — que não pressupõe nenhum modelo de psicoterapia — breve o bastante para caber na rotina e padronizada o bastante para permitir benchmarking entre serviços.
O sistema completo tem duas partes: o CORE-OM, respondido pelo cliente, e o CORE-A, preenchido pelo profissional (avaliação inicial e formulário de encerramento). Barkham e colaboradores formalizaram, em 2001, o par conceitual que organiza o projeto: a prática baseada em evidências precisa de contrapartida na evidência baseada na prática — dados de desfecho gerados na clínica de rotina, não apenas em ensaios controlados.
O instrumento cobre quatro domínios deliberadamente escolhidos para ir além do sintoma: bem-estar subjetivo, problemas e sintomas, funcionamento (geral, íntimo e social) e risco (a si e a terceiros). Dos 34 itens, 18 foram calibrados para a faixa alta de sofrimento e 16 para a faixa baixa, o que amplia a sensibilidade da medida ao longo de todo o espectro.
Nome corretoO CORE System Trust pede explicitamente que se use CORE-OM, e não “CORE-34”. As versões derivadas — CORE-10, GP-CORE, CORE-SF/A e SF/B, YP-CORE, LD-CORE — têm normas próprias e não são intercambiáveis com o CORE-OM.
Para que serve — e para que não serve
O CORE-OM foi construído como medida de mudança. Sua utilidade central é o routine outcome monitoring (ROM): medir na linha de base, medir de novo ao longo e ao fim do tratamento, e usar a diferença como informação clínica. Ele responde “esta pessoa está melhorando, estagnada ou piorando, e o quanto disso é maior que o erro de medida?”.
Ele não responde “que transtorno esta pessoa tem”. A validação do instrumento se apoia em contraste entre população clínica e não clínica e em correlação com entrevistas de rastreio — a correlação com a CIS-R foi r = 0,77 —, não em concordância com categorias do DSM ou da CID. Cruzar o ponto de corte significa “escore mais típico de quem procura serviço de psicoterapia”, não “tem o transtorno X”.
Estrutura: os 34 itens
Cada item é respondido numa escala de frequência de cinco níveis, referida aos últimos sete dias: Nunca (0), Raramente (1), Às vezes (2), Muitas vezes (3), Sempre ou quase sempre (4). A medida é problem scored: em todos os domínios, maior é pior — inclusive no de bem-estar, o que o próprio manual reconhece ser contraintuitivo, mas mantém por consistência.
| Domínio | Itens | Números dos itens |
|---|---|---|
| Bem-estar subjetivo (B) | 4 | 4, 14, 17, 31 |
| Problemas e sintomas (P) | 12 | 2, 5, 8, 11, 13, 15, 18, 20, 23, 27, 28, 30 |
| Funcionamento (F) | 12 | 1, 3, 7, 10, 12, 19, 21, 25, 26, 29, 32, 33 |
| Risco (R) | 6 | 6, 9, 16, 22, 24, 34 |
Dentro dos domínios maiores há agrupamentos conceituais úteis na leitura clínica, embora sem normas próprias: em Problemas, ansiedade (2, 11, 15, 20), depressão (5, 23, 27, 30), físico (8, 18) e trauma (13, 28); em Funcionamento, geral (7, 12, 21, 32), relações próximas (1, 3, 19, 26) e relações sociais (10, 25, 29, 33). No domínio de Risco, quatro itens tratam de risco a si (9, 16, 24, 34) e dois de risco a terceiros (6, 22).
Os oito itens invertidos
Oito itens são redigidos de forma positiva e pontuados ao contrário (4-3-2-1-0). No formulário impresso eles são identificados pela numeração invertida na linha de resposta. São eles:
| Item | Domínio | Conteúdo |
|---|---|---|
| 3 | F | Ter alguém a quem recorrer para ajuda |
| 4 | B | Sentir-se bem consigo mesmo |
| 7 | F | Sentir-se capaz de lidar quando as coisas dão errado |
| 12 | F | Sentir-se feliz com o que fez |
| 19 | F | Sentir cuidado e carinho por alguém |
| 21 | F | Sentir-se capaz de fazer a maioria do que precisa |
| 31 | B | Sentir-se otimista quanto ao futuro |
| 32 | F | Ter conseguido as coisas que quer |
Armadilha documentalA versão 2.1 do CORE System User Manual troca os números dos itens 17 e 31 em relação ao formulário atualmente distribuído. Ambos pertencem ao domínio de bem-estar, então a composição dos domínios não muda — mas a lista de itens invertidos deve seguir o formulário, não o manual. Na correção manual, esse é um erro fácil de cometer e difícil de perceber.
Como pontuar
Há três métricas, e só a terceira é a recomendada oficialmente:
- Escore bruto — soma dos 34 itens já invertidos, de 0 a 136. O CORE System Trust descreve como “alternativa rara, não oficialmente recomendada”.
- Escore médio — o bruto dividido pelo número de itens respondidos, de 0 a 4.
- Clinical score — a média multiplicada por 10, de 0 a 40. É a métrica padrão, adotada porque os serviços queriam evitar decimais. Quando alguém diz “o CORE dela era 18”, é disso que está falando.
Além do escore total, calculam-se o escore de cada domínio (mesma fórmula, restrita aos itens do domínio) e o escore não-risco — os 28 itens de bem-estar, problemas e funcionamento. O Trust recomenda o não-risco como melhor escore agregado global, justamente porque os itens de risco formam um espaço de resposta separado dos demais e distorcem a média.
Itens omitidos
Usar a média em vez da soma é o que torna o instrumento robusto a omissões — mas há limite, e ele é diferente por escala:
| Escala | Itens | Omissos tolerados | Se exceder |
|---|---|---|---|
| Total | 34 | até 3 (mínimo 31 respondidos) | não calcular |
| Não-risco | 28 | até 3 (mínimo 25 respondidos) | não calcular |
| Problemas | 12 | até 1 (dividir por 11) | deixar ausente |
| Funcionamento | 12 | até 1 (dividir por 11) | deixar ausente |
| Bem-estar | 4 | nenhum | deixar ausente |
| Risco | 6 | nenhum | deixar ausente |
A regra geral é de até 10% de itens omitidos. Escalas curtas — bem-estar e risco — não admitem prorrateio: com quatro ou seis itens, cada omissão desloca a média demais.
Como interpretar
O ponto de corte
O valor operacional em uso hoje é 10 no escore clínico (média de 1,0), sem distinção por sexo. Ele vem de Connell e colaboradores (2007), o primeiro estudo com amostra populacional britânica razoavelmente representativa: comparando 535 pessoas da população geral com 10.761 de amostras clínicas, pelo critério c de Jacobson e Truax, chegou-se a 9,9 — arredondado para 10. Por sexo, os valores foram 9,3 para homens e 10,2 para mulheres; contra uma subamostra “não angustiada”, 7,3. O corte de 10 separou população clínica de população geral com 87% de sensibilidade e 88% de especificidade.
Os cortes anteriores, do User Manual e de Evans e colaboradores (2002), eram sexo-específicos e mais altos. Continuam úteis como referência, sobretudo para os domínios, que Connell não recalculou:
| Escala | Masculino | Feminino | Escore clínico (M / F) |
|---|---|---|---|
| Todos os itens | 1,19 | 1,29 | 11,9 / 12,9 |
| Não-risco | 1,36 | 1,50 | 13,6 / 15,0 |
| Bem-estar | 1,37 | 1,77 | 13,7 / 17,7 |
| Problemas | 1,44 | 1,62 | 14,4 / 16,2 |
| Funcionamento | 1,29 | 1,30 | 12,9 / 13,0 |
| Risco | 0,43 | 0,31 | 4,3 / 3,1 |
Note a inversão no domínio de risco, em que o corte masculino é mais alto que o feminino.
Os normativos são britânicosNão há estudo normativo brasileiro publicado do CORE-OM. A adaptação transcultural para o português do Brasil (Santana et al., 2015) confirmou consistência interna em amostra clínica pequena, mas não produziu normas nem pontos de corte nacionais. E os cortes variam entre culturas de forma nada trivial: 1,0 no Reino Unido, 1,06/1,13 na Espanha, 1,19/1,29 na África do Sul, 1,26 no Equador. Trate o corte de 10 como referência internacional aplicada por falta de alternativa local — e diga isso ao interpretar.
Mudança confiável e mudança clinicamente significativa
A leitura de mudança segue a lógica de Jacobson e Truax (1991), com dois critérios independentes:
- Mudança confiável (RC) — a diferença entre duas aplicações excede o erro de medida. Calcula-se por
RCI = 1,96 × DP × √2 × √(1−fidedignidade). - Mudança clinicamente significativa (CSC) — o escore cruza do lado clínico para o lado não clínico do ponto de corte.
Cruzando os dois, chega-se às categorias usadas em relatórios de serviço: recuperado (mudança confiável e cruzou o corte), melhorado (mudança confiável sem cruzar), sem mudança confiável e deteriorado (mudança confiável na direção oposta).
A regra de bolso operacional, com corte 10 e RCI 5 no escore 0–40:
- queda de 5 pontos ou mais → melhora confiável;
- queda de 5 ou mais e escore final abaixo de 10 → recuperação;
- aumento de 5 ou mais → deterioração confiável;
- variação menor que 5 → dentro do ruído de medida.
De onde vem o “5”O valor de 5 pontos é uma convenção amplamente adotada, equivalente a 0,5 na escala de média e a cerca de 17 pontos no escore bruto. Ele não está publicado nas páginas do CORE System Trust nem no User Manual. Connell e colaboradores (2007) calcularam RCI de 3,6 usando o desvio-padrão da população geral e 5,9 usando o da amostra clínica; no Equador, Valdiviezo-Oña e colaboradores obtiveram 0,40 na escala de média. O RCI depende da amostra de referência e da fidedignidade adotadas — 5 é um arredondamento conservador e prático, não uma constante do instrumento.
Faixas de gravidade
Circula na prática britânica uma classificação do escore clínico em faixas: 10–14 leve, 15–19 moderado, 20–24 moderado a grave e 25–40 grave. O limiar de 2,5 na escala de média (25 no escore clínico) tem lastro empírico como marcador de gravidade — Barkham e colaboradores (2005) o usaram para distinguir atenção primária de secundária.
Abaixo de 10 — a faixa não clínica — as fontes divergem sobre onde subdividi-la: umas trazem 0–4 “saudável” e 5–9 “baixo nível”, outras 0–5 e 6–9, e os manuais do CORE-10 usam ainda outro corte. Como a divisão é disputada e clinicamente inconsequente, esta página apresenta tudo abaixo de 10 como uma única faixa não clínica.
Vale para todas elas a mesma ressalva: essas faixas não constam de nenhuma publicação do CORE System Trust, e o próprio Chris Evans, coautor do instrumento, mantém texto público questionando o uso de faixas de escore. Use-as como convenção de comunicação, não como norma do instrumento — e nunca como critério isolado de decisão clínica.
Há uma explicação provável para essa instabilidade, e ela ajuda a interpretar o que se lê por aí. As faixas do CORE-10 são publicadas — estão no CORE-10 User Manual, com limites em 11, 15, 20 e 25. A estrutura das faixas que circulam para o CORE-OM é a mesma, com o limite clínico deslocado de 11 para 10. Tudo indica, portanto, que se trate de uma transposição de uma medida para a outra — o que explicaria por que o corte interno da faixa não clínica varia conforme a fonte. É leitura nossa, não afirmação dos autores; mas, se estiver certa, reforça a recomendação de não tratar as faixas do CORE-OM como norma.
Os itens de risco
Os seis itens de risco cobrem ideação suicida, planejamento, autolesão e risco a terceiros. A orientação do User Manual é literal e categórica: qualquer pontuação acima de zero em qualquer item marcado “R” deve ser sinalizada para atenção adicional do clínico — independentemente do escore total, e independentemente da média do domínio.
Isso não é detalhe de escoragem, é o desenho do instrumento. Uma única marcação em “fiz planos para acabar com minha vida” convive com média de domínio baixa, porque os outros cinco itens podem estar em zero. Ler a média do domínio de risco em vez dos itens é o erro mais consequente que se pode cometer com o CORE-OM.
É igualmente importante separar as duas coisas que o domínio mistura. Risco a si (itens 9, 16, 24, 34) e risco a terceiros (6, 22) pedem condutas diferentes; tratá-los como uma coisa só produz resposta errada em pelo menos um dos casos.
O domínio Risco não é escala de riscoPsicometricamente ele é o elo mais fraco do instrumento: alfa de 0,46 na amostra portuguesa (contra 0,79 na original), 0,68 a 0,81 na norueguesa; teste-reteste inferior ao dos demais domínios; correlações baixas com os outros escores; sensibilidade à mudança apenas média, quando os demais escores têm efeitos grandes; e forte efeito de piso, já que a maioria dos respondentes pontua zero. Some-se a desejabilidade social, maior justamente onde a informação é mais crítica. O domínio Risco sinaliza — não avalia risco, e não substitui avaliação estruturada.
Uso em monitoramento de rotina
O protocolo recomendado pelo próprio CORE System Trust resolve a tensão entre carga de resposta e frequência de medida: CORE-OM na linha de base, CORE-10 sessão a sessão, e CORE-OM de novo no encerramento e no seguimento. Os 34 itens dão cobertura e fidedignidade nos pontos que importam para a comparação; os 10 itens dão cadência sem cansar.
Os limiares do CORE-10 não são os do CORE-OM: corte 11 e RCI 6. Não transporte um para o outro, e não compare escores das duas medidas — quando a comparação for necessária, use os escores do CORE-10 dos dois momentos.
O feedback melhora o desfecho? Sim, com ressalvas importantes
A meta-análise multinível de de Jong e colaboradores (2021), com 58 estudos, 110 tamanhos de efeito e 21.699 pacientes, encontrou efeito pequeno mas robusto do feedback sobre a redução de sintomas (d = 0,15; IC95% 0,10–0,20), efeito semelhante nos casos fora da trajetória esperada (d = 0,17) e redução do abandono (OR = 1,19). O ensaio clínico randomizado por conglomerados de Delgadillo e colaboradores (2018), em oito serviços do NHS, encontrou benefício restrito aos pacientes classificados como “fora de trajetória” (d = 0,23 no PHQ-9; 0,19 no GAD-7).
Duas leituras práticas se impõem. Primeira: o ROM é um sistema de detecção de exceções, não um acelerador universal — para quem já vai bem, a literatura não sustenta ganho relevante do feedback formal. Segunda, e mais acionável: o efeito é substancialmente maior quando o alerta vem acompanhado de ferramentas de apoio clínico (aliança, motivação, rede de apoio, eventos de vida), com d entre 0,35 e 0,49 — contra 0,15 do feedback isolado. O dado sozinho quase não move o desfecho; o dado que dispara uma investigação move.
De Jong e colaboradores (2024) organizam a prática no modelo “Collect, Share, Act” — coletar, compartilhar o resultado com o paciente e agir sobre ele. Compartilhar não é opcional: é o passo em que a medida vira intervenção.
Psicometria
Evans e colaboradores (2002) reportaram fidedignidade interna e teste-reteste entre 0,75 e 0,95, boa validade convergente contra sete outros instrumentos — BDI-I e II, BAI, BSI, SCL-90-R, GHQ-28 e IIP-32 —, grandes diferenças entre amostras clínicas e não clínicas e boa sensibilidade à mudança. Connell e colaboradores (2007) obtiveram alfa de 0,91 na população geral britânica.
Na adaptação para o português europeu (Sales et al., 2012, n = 111, amostra não clínica), os alfas foram 0,72 para bem-estar, 0,88 para problemas, 0,85 para funcionamento, 0,46 para risco, 0,94 para não-risco e 0,94 para o total — equiparáveis aos britânicos em tudo exceto risco. No Equador (n = 259, amostra clínica), alfa de 0,94 para o total e 0,85 para risco, com aceitabilidade excelente: 88% completaram todos os 34 itens e 100% completaram ao menos 31, permitindo prorrateio em todos os casos.
Os quatro domínios não são fatoresO CORE System Trust é explícito: “os escores de domínio raramente formam fatores estatísticos limpos entre populações; os itens de risco formam consistentemente um espaço de resposta distinto dos demais”. As análises fatoriais de Evans e colaboradores sugeriram três fatores — itens de valência negativa, itens de valência positiva e itens de risco —, não quatro. Os domínios do CORE-OM são divisões conceituais e clínicas, úteis para ler o perfil de uma pessoa; não são fatores confirmados, e não devem ser apresentados como tal.
Benchmarks de desfecho
Tamanhos de efeito pré-pós típicos em serviços reais medidos com CORE-OM: 1,36 em 1.309 pacientes do NHS (Stiles et al., 2006), 1,39 em 5.613 pacientes da atenção primária britânica (2008) e 1,96 em 9.703 pacientes com encerramento planejado, até 20 sessões e escore inicial acima do corte (2008), com 62,0% de melhora confiável e clinicamente significativa.
O achado mais importante sobre benchmarks, porém, é de Barkham e colaboradores (2012), com 33.587 pacientes: as taxas de recuperação variaram de 19% a 65% e os efeitos pré-pós de 0,60 a 1,95 — dependendo apenas de como se define a amostra (intenção de tratar ou completadores) e o índice de desfecho. Não existe “a” taxa de recuperação do CORE-OM: existe uma taxa por definição operacional, e comparar serviços sem igualar a definição é inválido.
Quando escolher o CORE-OM
Aplicando PHQ-9, GAD-7 e CORE-10 aos mesmos 1.103 pacientes, encontram-se correlações de 0,71 a 0,78 e um construto latente comum — mas concordância apenas moderada na classificação individual (κ = 0,45–0,59). Dada a sobreposição, uma única medida de sofrimento na linha de base costuma bastar; a questão é qual.
- CORE-OM — clientela transdiagnóstica; quando funcionamento e bem-estar importam tanto quanto sintoma; quando se quer uma medida única que também sinalize risco.
- PHQ-9 / GAD-7 — serviço orientado a alvo diagnóstico específico, ou necessidade de comparabilidade com protocolos de depressão e ansiedade.
- OQ-45 — semelhante em propósito; sua vantagem própria é o sistema de trajetórias esperadas e alertas de sinal de Lambert.
- SCL-90-R — quando o objetivo é perfil sintomático detalhado por dimensões, e não monitoramento de baixa carga.
Limitações
- Não é diagnóstico. Mede intensidade de sofrimento e mudança, não categoria nosológica.
- Normativos importados. Sem estudo normativo brasileiro, o corte 10 é referência britânica aplicada por falta de alternativa local.
- Autorrelato. Sujeito a desejabilidade social, agravada quando o cliente sabe que o escore alimenta decisões sobre alta ou avaliação do serviço.
- Domínio de risco fraco. Piso severo, fidedignidade baixa e sensibilidade à mudança apenas média. Sinaliza; não avalia.
- Domínios não são fatores. Leia o perfil como informação clínica, não como escores fatoriais independentes.
- Corte é contextual. Os próprios autores advertem que pontos de corte “devem ser usados com critério e ajustados ao contexto e ao propósito”.
Licença e obtenção do formulário
Todos os instrumentos CORE são propriedade do CORE System Trust e estão sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 (CC BY-NC-ND 4.0): uso livre, sem taxa, em perpetuidade, sem necessidade de cadastro ou sublicença, sob três condições — uso não comercial, conteúdo inalterado e atribuição preservada. Reprodução eletrônica é tratada como equivalente à impressa.
Na prática isso significa que não se pode: alterar a ordem dos itens, cortar itens, acrescentar itens ou texto, mudar as âncoras de resposta, omitir o marco temporal, nem produzir tradução própria — a cláusula NoDerivatives torna tradução não aprovada uma violação de copyright. A versão oficial em português do Brasil, coordenada por Heloísa Junqueira Fleury e colaboradores, está disponível gratuitamente no site do Trust, junto com CORE-10, GP-CORE e as formas curtas.
© CORE System Trust: https://www.coresystemtrust.org.uk/copyright.pdf
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Referências
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- CORE System Trust. Copyright and licensing (atualizado em 1 / 9 / 2025). coresystemtrust.org.uk
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Este conteúdo tem caráter técnico e educativo, dirigido a profissionais de psicologia. O CORE-OM é uma medida de resultado e não substitui avaliação clínica, diagnóstico ou avaliação estruturada de risco. A escolha do instrumento, sua aplicação, a interpretação do resultado e o registro em prontuário são responsabilidade do profissional.